
Quem garante qual é a realidade afinal? O que existe de fato? Aquilo que se pode tocar? Que se pode sentir? O que se imagina?
Que se gosta? Que transforma?
Qual a definição de real?
A mente nos prega peças todo o tempo... A lucidez é uma ilusão
E a ilusão uma ferramenta de abstração.
Prefiro acreditar que tenho o controle, apesar de muitas vezes querer perde-lo para me achar.
Nem sempre o que meus olhos veem é aquilo que gostaria que vissem.
Às vezes aquilo que os ouvidos captam causa muita angústia e dor.
Os sabores, muitas vezes, se tornam amargos ao tocar a língua.
Os odores podem asfixiar ou viciar, e o toque pode repelir.
A realidade é relativa, está presa às percepções. Por isso lanço mão do meu mundo paralelo.
Cansei de sofrer com as percepções que me são introduzidas goela abaixo.
Cansei de me deixar guiar por um mundo imposto
Onde não passo de "another brick in the wall"
Cansei de passar a vida olhando a grama do vizinho
E pensando que a festa ao lado é mais animada.
É melhor afiar suas ferramentas e inventar novas fórmulas se quiser me aprisionar na sua matrix.
Aprendi lançar mão de uma realidade paralela
Sei fazer os dias chuvosos se abrirem em sol
Consigo controlar minha mente e meus sentidos
Sugo aquilo que presta e interessa
Sopro ao vento o que não se encaixa
Faço a realidade que eu quiser e que convier
Na fantástica arte de abstrair.